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  • Salah H. Khaled Jr.

Criminologia cultural: um convite, de Ferrell, Hayward e Young, finalmente é lançado no Brasil



É com enorme satisfação que apresentamos a edição brasileira de Criminologia Cultural: um Convite, de Jeff Ferrell, Keith Hayward e Jock Young. Como já dissemos em outra oportunidade, pensamos que a Criminologia Cultural é a mais excitante e relevante matriz de perspectivas para a compreensão do crime e de seu controle no contexto contemporâneo, na quadra tardo-moderna.


Esta obra reúne os principais insights de inúmeros criminologistas culturais de forma condensada, em um texto ágil, que é instantaneamente acessível para leitores de diferentes níveis de formação. Vencedora do Prêmio de Livro mais Destacado da Divisão de Criminologia Internacional da Sociedade Americana de Criminologia, em 2009, Criminologia Cultural: um Convite é a bibliografia ideal para trabalhar Criminologia com alunos da graduação de cursos de Direito e Ciências Sociais.


Sua publicação faz parte de uma série de iniciativas recentes no campo acadêmico em expansão que é a Criminologia Cultural Brasileira e representa a culminação de uma série de esforços realizados na última década, dentre eles merecendo destaque o pós-doc do professor Álvaro Oxley da Rocha com Keith Hayward, em Kent, e a publicação de Videogame e Violência: Cruzadas Morais Contra os Jogos Eletrônicos no Brasil e no Mundo, de autoria do professor Salah H. Khaled Jr.


Por força dessa interlocução, em anos recentes, o diálogo com Jeff e Keith foi cada vez mais proveitoso. Dele nasceu a ideia por trás da criação da coleção Crime, Cultura, Resistência, cuja finalidade consiste no lançamento de obras significativas para a Criminologia Cultural que ainda não foram publicadas no Brasil. Explorando a Criminologia Cultural, organizado por Jeff, Keith, Salah e Álvaro foi apenas o começo de uma longa jornada, que agora é solidificada com a publicação de uma das mais importantes obras de Criminologia do século XXI.


Mas os planos são ainda mais ambiciosos. A Criminologia Cultural é, desde o seu desenvolvimento, um campo engajado e convidativo de conhecimento, que visa perturbar intelectualmente os poderes e dinâmicas autoritárias que nos impedem de avançar para um mundo melhor. Por força desse comprometimento, fundamos, juntamente com Jeff e Keith, o Instituto Brasileiro de Criminologia Cultural (www.criminologiacultural.com.br) e convidamos você a fazer parte dele. No Instituto, investigamos diferentes temas sob a perspectiva da Criminologia Cultural, motivo pelo qual temos diferentes comissões temáticas, dedicadas a questões como: criminalização da cultura; criminologia cultural negra; criminologia cultural feminista; mediascape e pânico moral; criminologia cultural verde; criminologia cultural e processo penal; modernidade tardia e sociedade bulímica; subculturas; violência, primeiro plano do crime e edgework; sociedade em rede e sociedade do espetáculo; economia política da pena; criminologia cultural e epistemologia; criminologia cultural de Estado; criminologia cultural do consumo e comodificação da transgressão, criminologia cultural e grandes narrativas da modernidade.


Um mês e meio após a sua criação, o Instituto já contava com mais de 60 pesquisadores, com diferentes níveis de experiência no campo da Criminologia Cultural, além de 8 coordenadorias internacionais, dentre as quais estão nomes como Michelle Brown, Wayne Morrison, Travis Linemann, Jonathan Ilan, Rita Faria, Mohammed Arafa e os próprios Jeff e Keith.


O futuro parece muito promissor para o desenvolvimento da Criminologia Cultural brasileira, o que certamente não significa dizer que nós simplesmente iremos recepcionar conceitos e matrizes pensadas em outros contextos históricos e geográficos de modo acrítico. A missão que temos pela frente consiste em reinventar a própria Criminologia Cultural – como ela reinventou as tradições que a precederam – conforme for necessário para melhor compreender a nossa especificidade regional. Nosso argumento é que se o crime e o seu controle podem ser pensados como produtos culturais, cujos significados são negociados e contestados de forma espiralada e muitas vezes indistinguível de sua representação mediada, isso é, talvez, ainda mais relevante para a compreensão da questão criminal brasileira, uma vez que aqui os controles modernos não foram minimamente internalizados pelos agentes estatais ou verdadeiramente institucionalizados. Isso faz com que questões da modernidade tardia, como a incerteza ontológica e a privação relativa, provoquem aqui efeitos ainda mais devastadores, que devem ser compreendidos em termos estruturais, mas também culturais, o que necessariamente deve fazer com que nosso olhar se volte para subculturas criminais e para o primeiro plano do crime, sem que com isso sejam deixadas de lado as performances constatadas (e contestadas) nas práticas punitivas estatais e os seus próprios mecanismos de legitimação e deslegitimação, inclusive na esfera subjetiva de quem rotineiramente pratica inúmeras violações.


Há muito o que discutir e não queremos antecipar a leitura do livro propriamente dito. Se ela lhe parecer instigante, venha pesquisar conosco: contato@criminologiacultural.com.br


Resistir,sempre!


Álvaro Oxley da Rocha e Salah H. Khaled Jr.

Junho de 2019.

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